quinta-feira, 16 de abril de 2009

E, de repente, você pensa que tudo vai mudar

Não há pesquisas que mostrem as expectativas do casal após o casamento. O que vai mudar para melhor, o que vai mudar para pior, as surpresas boas, as ruins... Às vezes pode não mudar nada, às vezes muda tudo, às vezes nada muda no exterior, mas no interior de cada um, uma tempestade de novidades.

Acontece que expectativas às vezes são criadas. Acho que ele sempre acreditou que as coisas ficariam perfeitas depois do "sim". Nunca conversamos sobre isso, nunca dissemos um para o outro que tudo seria diferente, mas alguma coisa fazia com que ele pensasse que, de repente, de um dia para o outro, eu deixaria de sair à noite, deixaria de beber com meus amigos, deixaria de sair sozinha, de viajar, mesmo quando ele não pudesse me acompanhar.

Pensou que o meu lado "bagunceiro" ficaria na casa dos meus pais e que a louça nunca mais dormiria na pia, que meus cabelos deixariam de cair subitamente e que meus sapatos sempre ficariam dentro do armário...

Foi difícil mostrar para ele que, wowww, as coisas não eram assim! Mas não foi tão simples... Quando você está num relacionamento deve respeito ao outro, há regras que não precisam ser ditas. O cresimento pessoal deixa de ser uma busca única, passa a ser uma busca de duas pessoas. Você e ele.

Discutimos. Bastante. Nunca, na verdade, havíamos discutido com tanta freqüência quanto no primeiro ano de casamento. Sempre por motivos que eu considero bobos, como os citados acima. Mas foi ruim.

Ruim porque, em certo momento, eu pensava que se ele estava tão insatisfeito com aquelas coisas rotineiras, sendo redundante, que aconteciam praticamente todos os dias, ia acabar desgastando sozinho o sentimento que tinha por mim.

Eu chegava em casa e via a cara emburrada. Não era preciso uma palavra, para que eu percebesse a insatisfação. E comecei a pensar se ele estava feliz. Se o casamento estava sendo o que ele imaginava, se a decepção dele em perceber que eu jamais seria aquele modelo que ele tinha em seu imaginário era capaz de abalar o amor.

Um dia, perguntei para ele se estava feliz. Ele disse que sim. E me fez a mesma pergunta. Respondi: "Feliz o suficiente". Foi uma forma agressiva, mas honesta de trazer a discussão à tona.

Mais um aprendizado: algumas vezes será preciso enfrentar a discussão, para que o problema possa passar a existir de fato, para que, então, seja resolvido.

Chorei. Talvez ele também. E conversamos, pela primeira vez, em um ano, sobre a seriedade das brigas fúteis. E, voltando ao crescimento pessoal, eu prometi que tentaria mudar para melhor nos quesitos em que ele alegava estar incomodado.

Ele ficou satisfeito com minha pré-disposição e eu fiquei feliz porque voltamos a sorrir um para o outro de manhã.

Nenhum comentário: