sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Balanço


Quando eu criei esse blog não imaginava tudo o que esperava por mim na vida de casada. Não imaginava que mudaria tanto em pouco mais de um ano, não pensava que tantos conceitos que eu tinha como certos na minha cabeça poderiam ser modificados. Não tenho o costume de acreditar que somos de um único jeito, que pensamos de uma única forma para sempre, mas realmente não conseguia ver outros caminhos, que não os que já estavam trilhados por mim. Além disso, eu não sabia que aconteceriam coisas que eu não ia querer dividir com todo mundo. Não só problemas, brigas, mas até mesmo coisas boas.

A verdade é que ninguém gosta de falar sobre as melhores coisas, nem sobre as piores. É como se gastássemos o lado ótimo das coisas boas, quando contamos para os outros. E como se as coisas ruins aumentassem quando divulgamos.

Tenho amigas que casaram na mesma época que eu. E outras que estão namorando. Outras que namoraram por anos e devem imaginar um pouco como são essas coisas. E outras que nunca namoraram sério, que às vezes têm mais ideia do que acontece... ou não têm nenhuma.

Antes de casar com o Igor, nós namoramos por quatro anos e alguns meses. Mesmo assim, tanta coisa mudou depois disso, que não dá nem para contar tudo aqui. O que importa de verdade é que tudo mudou para melhor. Eu não imaginava como isso podia acontecer. Mas aconteceu.

É como se, além de tudo o que já tínhamos de bom - o respeito, o carinho, a atenção, a amizade, a paixão - fosse somado a uma seriedade confortável. Como se, além de tudo, aquilo tivesse virado um relacionamento de verdade, que está acima de todas as coisas bobas de namorados.

É claro que, para chegar até esse ponto, passamos por momentos difícies. Que, assim como a parte boa, foram intensos. Mas eu quero mais é que seja assim! Porque esses extremos fazem com que a gente veja coisas que não veria numa relação morna.

Eu não sei se vou continuar o blog. Às vezes eu quero e às vezes eu não quero dividir as minhas experiências. Agora, por exemplo, sinto que escrevi à beça e não falei nada. Como se só eu pudesse entender o sentido das minhas palavras.

Talvez seja mais uma das mudanças pelas quais estou passando...

Talvez não.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

MuTáVeL

Fico feliz quando percebo que ainda sou mutável. Há alguns anos era mais fácil mudar de posição, de opinião, pois era época de aprendizado constante, intenso. Hoje em dia, um pouco mais orgulhosa, as coisas não são tão simples assim.

Mas, mesmo assim, uma hora ou outra, de acordo com as experiências que você vive, percebe que é preciso rever seus conceitos. Nada é tão certo como você imaginava que fosse. É como a palavra "nunca"... não é bom usá-la... da mesma forma que não é bom acreditar que a certeza é eterna. Uma hora você pode mudar de ideia.

Quando casei e percebi que as pessoas achavam que eu deveria agir diferente em certas ocasiões por causa disso, achava absurdo. O que muda? Não é para eu respeitar como respeitava antes? Amar como amava antes? Ouvir e falar como antes? Por que deveria ser diferente? Então quer dizer que antes era "sacanagem" e agora é que é sério? Não fazia sentido para mim.

Na verdade, na verdade, ainda não faz. Mas hoje, um ano após o casamento, eu entendo que é preciso respeitar esse pensamento coletivo. Mesmo que eu não encontre as razões para que ele exista, eu entendo que é preciso dançar de acordo com a música, pois, eu querendo ou não, vivo em uma sociedade e me importo com isso.

Não é fácil (ninguém disse que é), porque acabo indo de encontro com outros princípios e conceitos que carrego. Por exemplo, devo me importar com o que os outros pensam? Resposta: quando "os outros" significa também a pessoa que você ama, sim, devo me importar com o que os outros pensam. Ou ainda, mesmo não concordando, devo agir assim? Resposta: que jeito? Se eu não agir assim, vou criar problemas para mim mesma. Quando coloco na balança, prefiro agir dessa forma do que passar pelo desconforto de uma briga.

São preços, escolhas. Não é tão difícil dançar essa música, no final das contas.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

I.m.a.g.e.m

Sabe aquela máxima que diz que você é o que você pensa que é, você é o que os outros pensam que você é e você é o que você realmente é? Ultimamente, a segunda afirmação tem feito bastante parte da minha vida de casada. Isso porque todos criam uma imagem do nosso relacionamento e daí tiram todas as conclusões sobre como nós dois somos, sobre a forma que nos tratamos, sobre o nosso relacionamento em geral...

Eu nunca soube ao certo definir o que era mais importante, ser o que eu realmente era ou ser o que os outros pensavam sobre mim. Na dúvida, valorizava cada uma das opções conforme achava que era válido.

Mas a imagem que nós dois passamos para os outros é tão boa... Tão boa quanto à imagem que eu penso sobre o que realmente somos. Quando elas nos veem, elas veem carinho, elas veem paixão, elas veem amor, veem respeito, veem orgulho e são exatamente os valores que procuramos preservar diariamente nas discordâncias, nas concordâncias, nas coisas simples e complexas que vivemos.

Acredito que o que realmente faz diferença nisso tudo é o respeito. Não só o respeito dele comigo ou meu com ele. Mas os respeitos que temos pelos nossos sentimentos, pelas nossas emoções. Como quando não concordamos, jamais pensamos que "pronto, agora não aguento mais, não vou ficar com um cara que não concorda comigo para o resto da vida". Isso acontece... muito, com as outras pessoas. Ou quando você sente que as coisas não estão como antes. Ao invés de tentar fazer com que elas voltem a ser como antes, e obter sucesso, as pessoas logo pensam que "é isso mesmo, nada vai ser igual, eu 'até' gosto dele, mas não sei se vale a pena continuar investindo nesse relacionamento".

Não acho que somos o casal perfeito. Nem sei se existe isso. Será que um casal perfeito daria certo? Não tenho essa pretensão, até porque não sei o que isso significa exatamente. Mas sei que somos um casal feliz, que é o que mais importa, afterall, não é?

sábado, 25 de julho de 2009

Medo do futuro? Acho que não...

Sei que já escrevi sobre isso antes, mas o tempo todo o assunto volta de alguma forma na minha vida. Seja porque eu conheço alguém que está se separando ou porque converso sobre pessoas que estão casadas há muito tempo e não têm muitas coisas boas a falar sobre o casamento. Tudo o que me resta pensar e acreditar é que comigo as coisas vão ser diferentes, afinal de contas, elas sempre acontecem de outro jeito comigo.

Tem gente que diz que filho muda tudo, que apesar da dádiva de ser mãe, o casamento não é muito beneficiado. Tem gente que diz que o filho faz com que o casal crie um novo tipo de amor, um amor diferente, e deixa na entrelinha que o tesão acaba. Tem gente que não deixa na entrelinha, que aceita que o tesão no casamento acabar é uma consequencia inevitavel do tempo e que as coisas são assim mesmo e devemos aceita-las. Tem gente que diz que quando o tesão acaba, não tem como continuar casado, porque vira um amor amigo. E ninguém quer um amo amigo dormindo e acordando junto.

Sempre que esses assuntos surgem na minha vida, sempre que as coincidências a respeito dele acontecem, fico pensando no meu relacionamento com o Igor que é diferente de todos os outros que conheço. Esse negócio de controlar a vida do outro, ou que as coisas mudam quando se casa, não existe com a gente.

O meu medo era tão grande que isso acontecesse durante esses cinco anos que estamos juntos, que acabamos nos livrando dessas coisas que costumam destruirt os relacionamentos com o tempo. Eu tenho amigo homem, eles dormem na minha casa, eu durmo na casa deles, nos saimos para beber juntos, nos conversamos sobre tudo.

Ele trabalha viajando, na maioria das vezes com mulheres, é o caminho que ele escolheu e eu o apoiei. As coisas são assim, eu não tenho do que reclamar, ele continua sendo a melhor escolha que eu poderia ter feito.

Se eu quero sair, eu saio e falar para ele não é dar satisfação, mas dividir os momentos bons - ou ruins - que passei.

Se ele está em casa, eu dedico o meu tempo inteiro a ele, porque eu quero, porque eu gosto e porque é isso o que me satisfaz.

E durante todo esse tempo, todas as nossas - poucas - brigas foram exatamente para moldar esse relacionamento baseado no respeito. Nós sabemos que é essencial preservarmos nossas vidas, além da vida como casal. Nós sabemos que ninguém deve satisfação por aqui, mas só respeito.

Nós entendemos que a confiança é a base de tudo e que fidelidade é algo que se sente e não que se força a praticar.

Se nosso relacionamento foi por tanto tempo assim, por que eu teria medo do futuro? Se o começo não foi igual ao de ninguém que me contou as histórias com finais tristes?

terça-feira, 14 de julho de 2009

E para os amigos...

... tudo muda também! Principalmente para os solteiros, e isso não é uma segragação, é complicado de entender que a vida individual continua a existir. A sensação que eu tenho é que tudo o que eu falo para eles agora diz respeito ao casal. Se eu digo que não estou muito bem, a primeira coisa que pensam é que o casamento está passando por problemas.

Mas já??? É claro que não! Se um casamento passa por problemas assim, logo no início, nossa! Não sei nem o que eu pensaria! Não, não é isso! Eu posso perfeitamente ser casada e ter problemas que só dizem respeito a mim!

E quando você diz que está cansada da sua vida, querendo mudar? Nossaaaa, aí é como se você estivesse falando em separação, divórcio mesmo! "O que aconteceu??? Ele fez alguma coisa???". Se as coisas são assim quando você casa, fico imaginando o que acontece quando você tem filho. Deve passar a sua existência - completa - para o bebê, eu imagino.

Tudo fica mais sério, eles começam a selecionar os programas para os quais você será convidada, afinal de contas, você é uma mulher casada agora. Tem uma parte que eu confesso ter gostado. Eles finalmente voltam a ter respeito e a tratar você como uma mulher e não como um camarada que está ali e pode ouvir qualquer coisa.

É claro que, dependendo do nível de intimidade, a situação pode ser reversa. Agora que você é casada que não importa mesmo o respeito e eles podem falar qualquer bobagem que falariam em um local somente com pessoas do sexo masculino. Palavrões mais pesados, falar mal de alguma menina, bem - muito bem na maior parte das vezes - de outra e você acaba ouvindo coisas que preferia não ouvir.

De uma forma ou de outra, as mudanças entre os amigos homens são, definitivamente, melhores.

sábado, 11 de julho de 2009

Tudo por você

Não é com todo mundo, pelo menos não só nos finais de semana... E nem todos os finais de semana, só alguns que eu dou a sorte dele estar aqui. Mas nesse final de semana, pela primeira vez em muito tempo, eu senti prazer em cozinhar.


Todo mundo que me conhece, sabe que a cozinha não é muito a minha praia. Mas hoje ele chegou tão cansadinho do trabalho e eu estava com tanta saudade, que fui feliz para a cozinha fazer nosso almoço. Fiz um macarrão, com molho de tomate, salsicha e pimenta.

Ele ficou feliz quando acordou e viu que eu tinha preparado tudo, ainda coloquei a mesa e um copo com gelo e coca, como ele gosta. Pode parecer bobo, sem graça para quem está de fora. Mas eu sei que ele ficou feliz de verdade e eu sei que eu fiquei feliz por ele ter ficado feliz.

E essas coisas só a gente mesmo entende, porque só a gente sabe o valor das pequenas grandes coisas no relacionamento. Tem a ver com o prazer de fazer o outro feliz. E eu passei a compreender isso um pouco melhor depois que nos casamos.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

B a b i e s

Já escrevi sobre isso? Acho que não, espero que não. Mas é um assunto inevitável! Não só porque as pessoas não param de perguntar, principalmente aquelas que têm menos intimidade com você e não têm outro assunto para falar a não ser perguntar do seu casamento e "quando saem os bebês", como se fosse uma encomenda óbvia depois do matrimônio.

Mas também porque subitamente, de um dia para o outro, você se pega pensando em como seria bom ter um bebê, acariciando sua barriga estufada em frente ao espelho e lendo matérias de gravidez e crianças na internet.

Pois é. Hoje, meu fiel horóscopo da Elle dizia que, se eu estava pensando em bebês, devia conversar com meu parceiro para saber se os planos dele estão alinhados com os meus. Dessa forma, nenhum dos dois teria que fazer grandes sacrifícios. Sem meias palavras, han..

A verdade é que toda a parte boa é sempre a parte boa. Lógico. Mas o que quero dizer é que as pessoas, quando querem alguma coisa, esquecem de avaliar o outro lado da história. Sem contar com a escola que custa no mínimo R$1000,00, a babá que será insdispensável, o plano de saúde que praticamente triplica, as fraldas, comida, roupa, móveis e espaço, que são bens tangíveis e, de uma forma ou de outra, alcançáveis, a parte mais assustadora, para mim, é a educação, o exemplo, a moral, a personalidade e as experiências.

Essa parte que é a perigosa e ameaçadora.

Mas quando você está concluindo o pensamento de que deve reconsiderar.... vem a imagem daquele bebê gostoso, rindo para você quando acorda! Ou você vê na rua aquele abraço apertado que o filho dá na mãe! Ai ai...

É claro que tudo tem seu tempo! Não só meu casamento acabou de começar, como minha vida profissional, que requer demais meu tempo! Ainda fui me meter em mais uma etapa de estudo, pós-graduação, para completar! Não dá para pensar nessas coisas agora, infelizmente!

Enquanto isso, meus amigos e familiares me fizeram um favor! E alguns deles resolveram ter bebê esse ano! Um deles, inclusive, é meu irmão e meu afilhado! Para que me preocupar? ;)

sábado, 23 de maio de 2009

F u t u r o

Hoje me dei conta que cheguei, já há algum tempo, no futuro que eu imaginava pouco antes de entrar na faculdade. Na verdade, bem antes disso, quando brincava de colocar no papel com quantos anos me casaria, quantos filhos e carros teria, aonde moraria e que profissão seguiria (tinha isso ou estou inventando? Acho que estou inventando essa última opção).

Como sempre tive uma tendência "midiana", colocava que casaria com 25 anos, enquanto minhas amigas colocavam 27 e outras 23, acredito que a escolha era de acordo com o exemplo dos pais de cada uma. Entre as opções de cidades, estavam sempre Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo. Não imaginava que casaria com 23 anos. Sobre os filhos, não lembro quais opções caiam para mim, mas sei que sempre preferia cair na opção de dois, acho que porque éramos eu e meu irmão somente na minha casa, então achava que seria bom assim para mim também.

Hoje visitei uma amiga que teve bebê recentemente, eu e outras amigas fomos lá. E nos vimos, três entre quatro, casadas. Tão novas, mas todas casadas. E eu percebi que não há como você prever o que vai acontecer daqui a 6 anos. Há como sonhar, mas as coisas podem acontecer completamente diferente do que você imaginava. Às vezes melhor, às vezes pior e algumas vezes indiferente.

Eu não casei com 25 anos, não moro em Curitiba, nem pretendo ter três filhos ou uma Ferrari (ahhhh, era essa a outra opção, carros!), mas eu estou completamente feliz com o rumo que as coisas tomaram na minha vida. E agora, que o futuro já chegou, já há outro futuro que tenho que tomar conta. Pós, filhos, viagens... Há sempre mais pelo que lutar e isso é que dá sentido à vida.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Lembrar

Vocês estão juntos há cinco ano, noivos há 1 e a alguns dias do casamento... E eu preciso te contar que...

Você vai dar mais valor à sua intimidade do que nunca. Porque tudo aquilo que as pessoas casadas te falaram, te aconselharam, vai aparecer na sua mente a cada segundo do dia. Você vai lembrar que falaram sobre a importância de não deixar que ele veja você fazendo xixi, número 2 então, jamais! Tomar banho junto é uma coisa legal, mas só de vez em quando, não pode acostumar, não pode ser assim, todo dia.

Você vai lembrar que elas te falaram sobre a rotina. Nem tudo o que falam sobre a rotina é verdade. Um mínimo de rotina é, no mínimo, aconchegante. Mas é importante mesmo fazer uma coisinha diferente de vez em quando. Seja na hora de jantar, seja no final de semana, seja no dia de brasileirão, seja na hora de dormir ou na hora de acordar. Você não gosta de surpresa? Ele também!

E logo logo você vai perceber que elas também foram legais de mencionar que todo mundo precisa do seu tempo com os amigos. As conversas sobre trabalho ou sobre a casa podem enjoar qualquer dia. Ele vira seu melhor amigo, sem dúvida, mas é importante saber que casamento são três vidas em jogo. A sua, a dele e a de vocês dois. A tendência é que tudo isso vire uma só, mas isso é um erro gravíssimo. Pode ter certeza que você acha a vida dele independente de você tão interessante quando ele acha a sua e tão interessante quanto vocês acham a de vocês dois.

E você vai lembrar, quando se deparar com certas situações, o que elas falaram sobre respeito. Nesse momento você vai aprender que respeito não é baixar a voz, ou não falar palavrões somente. Isso aí é obrigação. Respeito é cada um aceitar o outro como ele é, porque foi por essa pessoa que você se apaixonou, foi por essa pessoa que ele se apaixonou. E respeito existe quando os limites são claros. Para não faltar respeito, vocês têm que deixar claro esses limites desde o início.

É tudo tão corriqueiro, tudo tão normal, que logo logo você vai se acostumar e vai começar a dar dicas para amigas que estão casando. E aí você vai perceber que todo mundo sabe o que é preciso fazer para ter um relacionamento feliz... O problema é que, com o tempo, as pessoas se esquecem. Então é importante ter alguém para lembrar.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Os melhores dias da minha vida

Antes de conhecer o homem com que me casei, tive diversos relacionamentos. De alguns anos, de alguns meses, de semanas, de dias, de horas... Alguns momentos foram inesquecíveis, sem dúvida. Mas se eu tivesse que escolher os melhores dias da minha vida, eles ficariam entre os últimos 1795 que vivi.

Lembro do primeiro "eu te amo" como se fosse hoje. Estava chovendo torrencialmente, inventamos de fazer um programa super longe de casa - detalhe, das nossas casas, porque, entre a minha e a dele, nem no meio do caminho aquilo ficava -, com um casal de amigos, que foram, inclusive, nossos padrinhos de casamento.

Depois de chegarmos no local e percebermos que não tínhamos nada para fazer ali, com aquela chuva, comemos alguma coisa e resolvemos voltar para casa. Ao sairmos do estacionamento, sem enxergar um metro a nossa frente, por causa da chuva, subimos em uma agulha e, como não estamos em uma velocidade muito baixa, deslisamos com o carro por cerca de 15 metros.

Foi um caos. Estava frio, não estávamos com roupa adequada para o tempo, era de noite e não havia nenhum reboque do seguro por perto. Tivemos que esperar horas até que ele chegasse e depois assistir à parte de baixo do carro ser destruída, enquanto era arrastada pelo reboque nos 15 metros que pareceram 15 quilômetros para a gente.

O casal de amigos foi ao lado do motorista e nós fomos dentro do carro. Ele estava muito triste por causa do estrago no carro e por termos ficado horas ali. Mesmo assim, nada me conteve. Quase que involuntariamente - porque se eu tivesse sido racional, teria esperado outra hora e local -, disse "eu amo você".

Quando vi o sorriso em seu rosto e sua expressão de felicidade, fiquei tão feliz, que nem me importei se ele não disse eu te amo de volta, se ele não falou nada, simplesmente sorriu e me deu um abraço apertado. Abraço e sorriso que eu interpretei como "você conseguiiu, fez com que eu esquecesse do que aconteceu de ruim hoje à noite e, finalmente, depois de horas, eu estou feliz de novo".

Pouco tempo depois, eu descobri que minha interpretação não poderia estar mais correta.

Acredito que, se você descobre o que é o amor, sempre haverá um dia melhor do que o outro. Sempre existirão os "melhores dias de nossas vidas".

No final das contas, é por isso que estamos aqui.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

V i a g e n s S a u d a d e s

Pode ser coisa da minha cabeça, mas, por observação, concluí que a saudade muda depois que você casa. Quando você namora, sente aquela saudade sem explicação, desesperada, você sente falta da companhia da pessoa que está ali todos os dias indo te visitar, fazendo programinhas de casal, jantando, dançando, indo à praia...

No casamento, quando você sente saudade, você está sentindo falta da pessoa para contar todos os acontecimentos do seu dia, você sente falta do outro lado da cama ocupado, sente falta do colo no sofá para ver televisão, da companhia para fazer o jantar conversando, das piadas que ele conta quando fala de casos verídicos, sente falta do abraço quando abre a porta de casa e do beijo de boa noite antes de dormir.

E depois de alguns dias, quando você já sentiu falta de tudo isso, você começa a contar as horas para que ele possa voltar e vocês possam, finalmente, fazer os programinhas de casal, jantar, dançar, ir à praia...

Só que, quando ele chega, tudo o que você quer é aproveitar sua casinha, mostrar as coisas novas que comprou para a decoração, fazer programas por perto para que, a qualquer momento que der vontade, você possa voltar para seu refúgio amoroso!

Sentir saudade quando é namorado é bom, passional, quente. Quando você casa, sentir saudade é lembrar antes, durante e depois somente do quanto ele faz sua vida mais feliz!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

C a s a m e n t o

Fomos a um casamento nesse sábado, de um amigão meu. Inclusive, fui madrinha junto com outro super amigo. Foi ótimo. Além das companhias, do meu lindo e vários dos meus amigos mais íntimos, foi ótimo por outros motivos.

Quando estávamos na igreja, em diversos momentos comparei situações e as palavras do padre com momentos que eu vivo em minha própria vida. A primeira vez foi quando ele entrou na igreja, acompanhado de sua mãe. Lembrei de quando nos conhecemos, das tantas horas que conversávamos sobre nossos relacionamentos, de todas as namoradas que ele teve antes dela e de todos os namorados que eu tive antes do lindão.

Lembrei das nossas prioridades, do que achávamos importante num relacionamento. E percebi que sempre fomos muito parecidos nas nossas escolhas. E no sábado estávamos ali, ele em um dos momentos mais importantes da sua vida e eu, lembrando do dia em que eu mesma disse sim.

Deu tudo certo. Tanto para ele, como para mim. Fizemos as coisas com calma, escolhemos a dedo, só quando percebemos que seria impossível encontrar alguém no mundo que amaríamos mais, que resolvemos dar esse passo grande.

Quando o padre começou a falar e mencionou o quanto era importante que as pessoas casadas aproveitassem o momento para refazer seus votos, refiz os meus, em silêncio. E agradeci a Deus, mais uma vez, por tudo o que aconteceu na minha vida depois que eu conheci o lindão. E, principalmente, por ter conhecido o lindão.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

E, de repente, você pensa que tudo vai mudar

Não há pesquisas que mostrem as expectativas do casal após o casamento. O que vai mudar para melhor, o que vai mudar para pior, as surpresas boas, as ruins... Às vezes pode não mudar nada, às vezes muda tudo, às vezes nada muda no exterior, mas no interior de cada um, uma tempestade de novidades.

Acontece que expectativas às vezes são criadas. Acho que ele sempre acreditou que as coisas ficariam perfeitas depois do "sim". Nunca conversamos sobre isso, nunca dissemos um para o outro que tudo seria diferente, mas alguma coisa fazia com que ele pensasse que, de repente, de um dia para o outro, eu deixaria de sair à noite, deixaria de beber com meus amigos, deixaria de sair sozinha, de viajar, mesmo quando ele não pudesse me acompanhar.

Pensou que o meu lado "bagunceiro" ficaria na casa dos meus pais e que a louça nunca mais dormiria na pia, que meus cabelos deixariam de cair subitamente e que meus sapatos sempre ficariam dentro do armário...

Foi difícil mostrar para ele que, wowww, as coisas não eram assim! Mas não foi tão simples... Quando você está num relacionamento deve respeito ao outro, há regras que não precisam ser ditas. O cresimento pessoal deixa de ser uma busca única, passa a ser uma busca de duas pessoas. Você e ele.

Discutimos. Bastante. Nunca, na verdade, havíamos discutido com tanta freqüência quanto no primeiro ano de casamento. Sempre por motivos que eu considero bobos, como os citados acima. Mas foi ruim.

Ruim porque, em certo momento, eu pensava que se ele estava tão insatisfeito com aquelas coisas rotineiras, sendo redundante, que aconteciam praticamente todos os dias, ia acabar desgastando sozinho o sentimento que tinha por mim.

Eu chegava em casa e via a cara emburrada. Não era preciso uma palavra, para que eu percebesse a insatisfação. E comecei a pensar se ele estava feliz. Se o casamento estava sendo o que ele imaginava, se a decepção dele em perceber que eu jamais seria aquele modelo que ele tinha em seu imaginário era capaz de abalar o amor.

Um dia, perguntei para ele se estava feliz. Ele disse que sim. E me fez a mesma pergunta. Respondi: "Feliz o suficiente". Foi uma forma agressiva, mas honesta de trazer a discussão à tona.

Mais um aprendizado: algumas vezes será preciso enfrentar a discussão, para que o problema possa passar a existir de fato, para que, então, seja resolvido.

Chorei. Talvez ele também. E conversamos, pela primeira vez, em um ano, sobre a seriedade das brigas fúteis. E, voltando ao crescimento pessoal, eu prometi que tentaria mudar para melhor nos quesitos em que ele alegava estar incomodado.

Ele ficou satisfeito com minha pré-disposição e eu fiquei feliz porque voltamos a sorrir um para o outro de manhã.

Primeiro, o amor

Não tinha como começar um blog como esses falando sobre brigas, louças, roupas sujas e hábitos estranhos. Afinal de contas, um relacionamento entre um homem e uma mulher é muito mais do que tudo isso! Se estamos juntos hoje, casados, morando sob o mesmo teto e unidos em um casamento que se configura pela aliança brilhante em nossas mãos esquerdas, é porque, antes de tudo, nos amamos. Nos amamos, somos apaixonados um pelo outro e queremos mais, muito mais do que nossos primeiros 4 anos juntos!

Você não acorda um dia e pensa: "quero me casar". Desde que nos conhecemos, avaliamos as qualidades de cada um, os defeitos, conhecemos a família, observamos como é o relacionamento do outro com os amigos, se verdades são sempre a escolha feita, se a bondade e compaixão fazem parte daquele corpo estranho, que vamos conhecendo aos poucos.

E, o principal, começamos a gostar tanto um do outro, a querer estar tão perto o tempo todo, que acabamos sentindo vontade de dividir tudo, nossos medos, nossos sonhos, nossos desafios, nossos planos! Foi isso o que aconteceu com nós dois.

Às vezes penso como posso explicar o que sinto por ele para alguém que não entende o que é o amor. Hoje, explicaria assim; é um amor tão grande. tão grande, que você se dispõe a passar o resto da vida junto da mesma pessoa. Tem assunto para tanto, tem amor para tanto, tem paixão para tanto, paciência, tolerância e satisfação.

Se não durar para sempre, aí é outra história. Mas, enquanto dura, é nisso que eu acredito!